Como e onde o milagre é gerado

"Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele” (Colossenses 1.16)

Já percebeu que tudo o que existe à sua volta um dia foi projetado em algum lugar ou por alguém?

A casa que você mora, antes de ser construída, foi pensada, não é mesmo?

Cada objeto, imóvel, automóvel, vestuário e até o que você come, foi TORNADO tangível, pois não existia. Antes de tudo isso virar realidade, foi primeiramente, projetado, pensado por alguém. No caso, dos alimentos, foi cultivado por alguém.

Falando em cultivo, veja só a parábola da semente. Ela é bem oportuna para o que abordaremos nesse texto: 

“E dizia: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra. E dormisse, e se levantasse de noite ou de dia, e a semente brotasse e crescesse, não sabendo ele como. Porque a terra por si mesma frutifica, primeiro a erva, depois a espiga, por último o grão cheio na espiga. E, quando já o fruto se mostra, mete-se-lhe logo a foice, porque está chegada a ceifa” (Marcos 4.26-29).

Jesus fazia várias comparações tentando explicar de forma lúdica - vamos dizer assim - o mundo espiritual.

No caso dessa parábola da semente, ao comparar o reino dos céus com o crescimento de uma semente em que o homem que a cultiva não sabe como ela brota, Jesus tenta deixar o mais entendível possível que as coisas do Espírito de Deus se discernem espiritualmente (1 Coríntios 2.14), isto é, no invisível.

Pensando sobre tudo isso, chego à conclusão de que o milagre é gerado no mundo espiritual.

De que forma?

“(...) comparando as coisas espirituais com as espirituais” (1 Coríntios 2.13).

Como assim?

Veja essa passagem bíblica: 

“Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas” (2 Coríntios 4.16-18).

Quem seria o homem exterior?

Penso que seja a carne, a velha criatura.

E o homem interior?

Acredito que seja o novo homem que, segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e santidade (Efésios 4.24), isto é, a nova criatura que ressurgiu das águas do batismo.

É somente o homem interior que consegue atentar para as coisas que não se vêem, ou seja, para o mundo espiritual – que é invisível.

É esse homem espiritual que vai se comunicar com Deus – porque Deus é espírito (João 4.24) – e vai contemplar o seu milagre pelos olhos da fé.

Com isso, lembramos do que disse o apóstolo Paulo aos Efésios: 

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Efésios 1.3).

Veja só: o próprio Deus nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo.

Conseguimos ver essas bênçãos espirituais nos lugares celestiais? 

Pela carne, não, mas, pelo Espírito, sim: 

"Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam. Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus" (1 Coríntios 2.9-10).

Por isso que precisamos estar em espírito para comparar as coisas espirituais com as espirituais e discernir o invisível.

Não à toa, por todo Novo Testamento, a palavra nos exorta a andar em espírito: 

“Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis” (Gálatas 5.16-17).

Atentemos para um pequeno detalhe: fomos chamados para viver pela fé (pelo que não vemos) e não por vista (pelo que vemos) (2 Coríntios 5.7).

O que isto significa?

Entendo que precisamos viver aguardando o reino dos céus (que não vemos). Veja o que diz o apóstolo Paulo: 

"Porque em esperança fomos salvos. Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos" (Romanos 8.24-25).

O que seria a esperança que se vê?

Acredito que são os bens materiais e causas terrenas que dizem respeito à nossa vida secular. Quanto a isso, Jesus fala para não nos preocuparmos: 

"Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal" (Mateus 6.31-34).

O apóstolo Paulo exorta, inclusive, sobre o fato de esperarmos em Cristo só nesta vida. Isto é, se esperamos de Cristo que nos abençoe tão somente neste plano terreno e satisfaça as nossas necessidades materiais, somos miseráveis, pois o que ele tem para nós excede as riquezas desse mundo: 

"Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens" (1 Coríntios 15.19.

Além disso, na sua carta aos Romanos, ele diz que "o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo" (Romanos 14.17).

Entendo com isso que o reino dos céus não é só milagres e curas - o que a nossa vida secular tanto anseia. É tudo isso e mais um pouco. 

Entendo, também, que, ao obedecermos o que diz Mateus 6.31-34 sobre buscar a Deus em primeiro lugar, também estaremos gerando os nossos milagres (o que precisamos nessa vida terrena) no mundo espiritual. 

Até porque, a própria palavra do evangelho é espiritual (João 6.63). Logo, tudo o que fizermos em relação ao que está escrito e foi ensinado por Jesus, nos fará andar em espírito (pela fé) e não por vista.

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